Homem preso por assassinar ex-esposa com 72 facadas no Paraná foi julgado e condenado enquanto estava foragido; relembre caso
17/04/2026
(Foto: Reprodução) Polícia do Paraguai entrega, na Ponte da Amizade, homem foragido há mais de 30 anos por ma
Marcos Panissa, preso por matar a ex-esposa, Fernanda Estruzani Panissa, com 72 facadas, foi julgado e condenado enquanto estava foragido. Ele estava sendo procurado desde 1995 e foi encontrado na quarta-feira (15), no Paraguai.
No mesmo dia, ele foi entregue às autoridades do Brasil na Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná.
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Durante o processo, Panissa foi submetido a quatro julgamentos. O último aconteceu em 2008, quando uma mudança de lei permitiu que ele fosse julgado à revelia – quando a sessão do Tribunal do Júri acontece sem exigir a presença do réu.
Na ocasião, Panissa foi condenado a 21 anos e 6 meses de prisão em regime fechado. Dois anos depois, a decisão foi reformada para 19 anos e 6 meses.
A promotora de acusação na época, Susana Lacerda, vê a prisão de Panissa como uma vitória.
"Era um feminicídio, e não existia a lei de feminicídio quando aconteceu a prática desse crime gravíssimo. [...] A família dessa vítima assistiu ela ser trucidada publicamente, foi ofendida a sua honra, a forma como vivia, o fato de gostar de dançar, de se divertir, de ser uma pessoa alegre. [Sobre a prisão de Panissa] Eu vejo como uma vitória, pois o tempo que esse réu estava foragido, ele decididamente acreditava na impunidade", disse a promotora.
Antônio Carlos Andrade Viana, advogado que atua na defesa de Panissa desde a década de 1990, disse em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, que vai avaliar a legalidade da prisão e pedirá a revisão da pena.
"Não é que ele esteja pleiteando a absolvição. Ele confessou o crime, perdeu a cabeça, fez um crime pavoroso que chocou a família e a sociedade, mas nem por isso nós devemos sair da legalidade desse assunto", disse o advogado.
Navegue pela reportagem para entender os principais pontos do caso:
Relembre o crime
Como foram os julgamentos?
Onde Panissa foi encontrado e preso?
Como era a vida de Panissa no Paraguai?
Relembre o crime
O crime foi cometido no dia 6 de agosto de 1989, no apartamento onde Fernanda morava, no centro de Londrina, no norte do Paraná. Ela tinha 21 anos e Panissa, 23.
Na época, Panissa confessou ter matado a ex-esposa por ciúmes. Os dois estavam separados há pouco mais de dois anos.
Mesmo assim, ele disse em depoimento que não aceitava o fim do casamento e o fato de Fernanda estar começando um novo relacionamento. O caso foi abordado no programa Linha Direta, da TV Globo.
Panissa matou Fernanda em 1989 com 72 facadas
RPC / Senad Paraguai
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Como foram os julgamentos?
Em 1991, Marcos foi condenado a 20 anos e 6 meses de prisão pelo assassinato. Houve um protesto por novo júri — recurso da defesa que permitia um novo julgamento quando a condenação fosse igual ou superior a 20 anos, mas que foi revogado em 2008.
No ano seguinte, em um novo julgamento, Panissa foi condenado a 9 anos de prisão. O Ministério Público recorreu e o júri foi anulado com base em uma composição irregular do conselho de sentença e decisão em desacordo com as provas dos autos. Enquanto isso, Panissa respondia ao processo em liberdade.
No dia marcado para o terceiro julgamento, em 1995, ele não compareceu ao tribunal, teve a prisão preventiva decretada e, desde então, estava foragido.
Em 2008, uma nova sessão do Tribunal do Júri foi convocada após uma mudança na lei, que permitiu o julgamento à revelia a partir de uma alteração da lei que parou de exigir a presença do réu para o júri. Nesse julgamento, ele foi condenado a 21 anos e seis meses de prisão. Contudo, a decisão foi reformada para 19 anos e seis meses de prisão em 2010.
Como ele estava foragido, a pena não pôde ser cumprida.
Em 2018, a juíza Elisabeth Khater destacou no processo que, caso Panissa não fosse encontrado até novembro de 2028, o crime iria prescrever. Na época, a magistrada solicitou à Interpol que prorrogasse a validade do alerta na Difusão Vermelha.
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Onde Panissa foi encontrado e preso?
Panissa foi preso após uma investigação da Polícia Federal indicar a presença dele em território paraguaio. Ele também era procurado pela Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol, na sigla em inglês).
A investigação da PF revelou a entrada de Panissa no Paraguai com uma identidade falsa e conseguiu localizá-lo por meio do serviço de inteligência. Após monitoramento e confirmação da identidade real, agentes da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (Senad) conseguiram prendê-lo em San Lorenzo enquanto ele dirigia um carro.
Marcos Panissa foi entregue às autoridades brasileiras.
Marcos Landim
Ele foi encaminhado no mesmo dia da prisão, até a Cidade do Leste, onde foi expulso do país e entregue às autoridades da Polícia Federal do Brasil.
Segundo a PF, Panissa está em Foz do Iguaçu aguardando decisão judicial sobre em qual unidade prisional irá cumprir pena.
Como era vida de Panissa no Paraguai?
A investigação revelou que ele vivia uma vida "pacata" em San Lorenzo, no interior do país, com identidade falsa, nova família e rotina considerada discreta pelas autoridades.
Panissa trabalhava no comércio de ferragens e não levantava suspeitas da polícia. Ele morava com a companheira e uma filha adulta, mas, segundo as autoridades, elas não sabiam da verdadeira identidade dele, nem do crime cometido no Brasil.
O g1 teve acesso ao nome que Marcos utilizava, mas não o revelará para preservar a identidade da esposa e da filha. Segundo a polícia, durante a abordagem Panissa confirmou o nome verdadeiro.
As investigações apontam que Panissa entrou no Paraguai usando documentos falsos ainda na época em que cometeu o crime, nos anos 1990. Ele conseguiu, a partir disso, obter registros oficiais no país. Antes de se estabelecer em San Lorenzo, ele viveu na cidade de Concepción, onde conheceu a atual esposa e teve sua filha.
Segundo as autoridades paraguaias, Panissa importava produtos do Brasil e distribuía em lojas no Paraguai, mantendo uma rotina considerada comum.
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