Comerciante agredido por PM em peixaria relata falência e depressão: 'Tive que procurar ajuda'

  • 10/08/2026
(Foto: Reprodução)
Comerciante é agredido por policial durante abordagem na frente dos filhos A vida de Alessandro Coelho de Oliveira mudou após ser agredido por um policial militar durante uma abordagem na própria peixaria em Guarujá, no litoral de São Paulo. Ao g1, ele contou que declarou falência, fechou o comércio e mudou de carreira pouco mais de um ano após o episódio. A Justiça condenou o Estado de São Paulo a indenizá-lo em R$ 10 mil por danos morais. No entanto, Alessandro considerou a quantia irrisória se comparada ao prejuízo decorrente da abordagem truculenta. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. De acordo com Alessandro, depois da abordagem em abril de 2024, as vendas na peixaria caíram e ele passou a ter dificuldade até para encontrar funcionários. “Acredito que ficaram com medo”, afirmou. O morador contou que também teve problemas com a fiscalização, mas fez de tudo para manter o estabelecimento até o fim de 2025, quando não conseguiu mais sustentar o negócio e fechou as portas. “Eu fali mesmo, fechei a firma em cartório e tudo”, relatou Alessandro. Ele contou que passou a investir em cursos técnicos para mudar de carreira e se tornar educador social. Abordagem aconteceu em frente peixaria de Guarujá (SP) Arquivo Pessoal Além dos problemas profissionais, o homem ainda enfrentou desafios pessoais, já que a filha ficou traumatizada ao presenciar a cena, e ele ficou abalado psicologicamente por conta de toda a mudança de vida. “Tive que procurar ajuda, passar pelo psicólogo, procurar a rede pública do Caps", explicou. O homem disse que foi diagnosticado com depressão e passa por tratamento com medicação. Apesar disso, Alessandro afirmou que a vitória diante do Poder Judiciário já representa um alívio, pois prova a inocência dele diante dos policiais. “É mais por causa da minha dignidade, mostrar que eu não era bandido, realmente eu não era bandido, não era ladrão, eu era um trabalhador”, finalizou. Abordagem aconteceu em Guarujá (SP) Arquivo Pessoal Decisão da Justiça Alessandro solicitou uma indenização de R$ 60 mil por danos morais. A Vara da Fazenda Pública de Guarujá reconheceu o excesso policial e, em março, havia condenado o estado a pagar R$ 18 mil. No entanto, o estado recorreu da sentença. O governo alegou falta de provas de que a atuação dos militares tenha causado complicações na saúde do homem. A 10ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) acolheu o recurso parcialmente e reduziu a indenização para R$ 10 mil. O advogado Antônio Pacheco, que representa o comerciante, informou que não pretende recorrer. “Como se trata de uma decisão de segunda instância, mesmo inconformado meu cliente acatará a decisão da Justiça”, afirmou. Em nota, a Procuradoria Geral do Estado (PGE) informou que o governo estadual foi intimado e que o caso está sob análise. Relembre o caso O dono do estabelecimento contou que foi chamado de “ladrão” por um dos policiais durante a abordagem. Ele relatou ter confrontado o xingamento, afirmando que era um trabalhador. Apesar de obedecer às ordens e manter as mãos para trás, um dos agentes segurou a blusa do comerciante e o atingiu no rosto. Após a agressão, Alessandro foi até a sede do 2º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) para prestar queixa. Em depoimento, ele explicou que tinha passagem por furto em 2012, mas cumpriu a pena em 2016 e não cometeu novos delitos desde então.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2026/08/10/comerciante-agredido-por-pm-em-peixaria-relata-falencia-e-depressao-tive-que-procurar-ajuda.ghtml


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